Levando a Palavra de Fé, Vida e Esperança ao Policial Militar

Projeto Polícia Igreja

TESTEMUNHO E ENTREVISTAS

POLÍCIA MILITAR ERA MEU PRIMEIRO AMOR

“A Polícia Militar era meu primeiro amor”
KALEU NILSON de Souza, este sou eu! Trabalho desde meus 8 anos, comecei como auxiliar de tapeçaria com meu avô, já vendi canudos, abacaxi, melancia, uvas, enfim, sempre batalhei para conquistar minhas coisas. Desde pequeno sempre dizia que seria policial, era incrível como eu gostava da Polícia.

Eis que aos 23 anos de idade, quando eu era Guarda Civil Municipal, fui aprovado no concurso da Polícia Militar do Estado de São Paulo, porém reprovado no exame médico por ostentar uma tatuagem no braço direito. Era um instrumento musical, um saxofone.

Mas isso não me fez desistir, impetrei um mandado de segurança, continuando nas outras fases. Cheguei a fazer o Curso de Formação de Soldados.
Depois de formado, fui trabalhar no município de Mogi Guaçu. Amava o que fazia, mesmo com as escalas malucas, trabalhava feliz.

Com apenas 3 meses trabalhando nas ruas, perdi meu pai, fiquei muito triste, pois ele sempre foi minha inspiração, meu amigo. Mesmo com essa grande perda não deixei meu trabalho de lado, e, com pouco mais de 6 meses de rua, devido a meu empenho, dedicação e amor à causa pública, fui homenageado como "Policial destaque do mês", em âmbito de Companhia, Batalhão e CPI.

No mesmo dia desta homenagem, que ocorreu em Campinas, nascia, em São João da Boa Vista, minha filha, Victoria Izidoro de Souza. Mas o amor a esta profissão era tamanho que eu preferi ir até Campinas receber a homenagem e somente depois seguir até São João da Boa Vista ver minha filha.

Alguns anos se passaram e eu perdi meu casamento, alguns amigos, pois a Polícia Militar era meu primeiro amor.

Mudança de rumo: parecia o fim

Eis que em 31 de agosto de 2012 minha vida tomaria um novo rumo. Entrei no trabalho às 06h30 e juntamente com meu colega de farda fomos averiguar uma denúncia, na qual após um belo trabalho resultou em uma apreensão de mais de 3 mil quilos – 3 toneladas - de drogas. Sem dúvida, eu estava realizado, pois era uma das maiores apreensões de drogas de toda região, quiçá do Estado.

Contudo, Deus já me mostrava que os planos Dele comigo eram diferentes. Durante esta apreensão, uma viatura da Guarda Civil Municipal veio a colidir na traseira da minha viatura, ambos os veículos deram "perda total". Resultado: 2 guardas municipais muito machucados, meu parceiro com as pernas machucadas e eu com a cabeça ferida, perdendo muito sangue.

Mesmo feridos, fomos conduzidos novamente até o local da apreensão e o comandante de Companhia disse que a ocorrência era minha e do meu colega de farda. Neste momento, eu que estava cheio de sangue na cabeça, virei para meu colega e falei: "E aí irmão, está é a ocorrência da nossa vida!!! Você vai mesmo querer ir pro hospital?”.

Ele olhou para mim e disse: “Vamos ficar na ocorrência!!!”. Hoje eu vejo como eu estava cego para os sinais de Deus em minha vida. Após esta decisão, fomos até um barracão da Prefeitura para conferência de toda droga. Tal operação envolveu o trabalho de mais de 40 policiais entre militares, civis e guardas municipais.

As drogas estavam dentro de sacos de carvão e durante a conferência eu acabei ficando sujo, de preto. Após algumas horas de trabalho, fui chamado de canto pelo coronel comandante de Batalhão, o qual eu ainda nem conhecia, pois ele havia assumido o comando há cerca de 2 meses.

Inocente e ainda cego para Deus, pensei que seria elogiado, mas fui surpreendido. Ele me indagou, apontando para alguns pacotes de droga, se eu sabia o que tais pacotes de drogas faziam dentro do caminhão do guincho. Não sabia quem havia solicitado o guincho, mas, enfim, foi me dado ordem para ficar no aguardo de novas ordens ao lado da minha viatura.

Minutos depois, chega um tenente e fala para que eu não perguntasse nada, mas ele tinha que me desarmar. Sem questioná-lo, entreguei minha arma. Após ordem do Capitão Comandante de Cia, tive que dar entrevistas à imprensa: SBT, Record, Band e Globo. Alguns minutos depois, fui conduzido até o Batalhão, onde liguei para minha família, mãe e irmã, às quais logo chegaram por lá. Fui chamado até a sala do comandante de Batalhão, que me falou: "Kaleu já estamos convencidos, você realmente pegou as drogas e guardou no caminhão de guincho, por tal motivo a partir de agora você está preso em flagrante pelo crime de tráfico de drogas".

Desesperado o interpelei: "O quê? Preso em flagrante? Não pegaram nada comigo, eu não fiz nada!”.

Neste momento, o comandante falou para eu não dizer mais nada e aguardar do lado de fora. Ao lado da minha família, mãe e irmã, dentro da cozinha do Batalhão, chegou o capitão comandante de Cia e disse: "Aproveitando a presença da sua família eu vou ler seus direitos, e assim foi feito. Em seguida, ele disse que a partir daquele momento eu estava preso. Minha mãe, chorando muito, disse: "Preso em flagrante? Pegaram algo com meu filho?".

Cerca de 14 policiais militares foram ouvidos, e todos foram unânimes em dizer que em momento algum saíram da minha presença e quando eu não estava do lado deles estava no campo de visão, inclusive meu parceiro, e que seria impossível a minha participação em tal crime.

Mesmo assim, baseado nos depoimentos de 2 guincheiros, que possuíam um vasto histórico no meio criminal, com várias passagens policiais por diversos crimes, dentre eles tráfico de drogas, roubo e receptação, os comandantes decidiram me prender.

E assim foi feito. No entanto, eles mudaram de ideia referente ao delito, me enquadrando no crime de "peculato furto", uma vez que, no caso de crime de tráfico de drogas, o registro teria de ser feito na polícia civil e a delegada recusou de fazer o registro.

Ela ainda me alertou, pessoalmente, que era para eu tomar cuidado, pois estavam armando para mim, e que não era para eu segurar o BO de ninguém.

Um amigo no Presídio Militar Romão Gomes

As oitivas se estenderam por toda madrugada, e por volta das 8h30 do dia 1º de setembro de 2012 fui escoltado até o Presídio Militar Romão Gomes. Antes passei no Hospital da Polícia Militar, pois minha cabeça estava inchada. Dei entrada no presídio à noite.

Logo na entrada, o tenente responsável pela recepção, ao ver o breve histórico da minha prisão, disse: "O que este comandante arrumou? Tudo errado esta prisão! O que você está fazendo aqui?”.

Fui conduzido até a cela, onde havia mais 7 policiais militares e, devido ao horário, todos estavam dormindo. Fui colocado em uma treliche, na última cama, exatamente a um palmo e 3 dedos do teto.

Naquela noite, por várias vezes acordei assustado, achando que tudo não passava de um pesadelo, levantava às pressas e batia a cabeça no teto.

No dia seguinte, conheci os policiais que dividiam cela comigo, cada um com uma história de vida, um porquê de estar ali. Eu não compreendia o motivo de estar lá, sempre me dediquei com muito amor à profissão, colocando à frente de tudo e de todos.

Após a revista matinal, os companheiros de cela foram trabalhar em empresas existentes no presídio, e eu, inconformado com aquela situação, tomei uma decisão, acabaria com minha vida, pois estar ali para mim sem ter feito nada era inadmissível. Não tirava da mente a imagem da minha mãe e irmã chorando, me vendo ser conduzido, como bandido, dentro de uma viatura policial.

Entrei no banheiro, enrolei uma calça no cano do chuveiro e passei a mesma em meu pescoço, estava próximo a soltar o corpo e ceifar a minha vida. Neste momento, ouvi chamarem meu nome: “Kaleu, oh Kaleu, você está aí?”. De imediato, desenrolei a calça do pescoço, pois não queria que a pessoa visse, saí para fora do banheiro e tinha um policial "detento" que me perguntou se eu estava bem e que precisava me apresentar um amigo.

Estranhei e desconfiado o indaguei: "Me apresentar quem?". Ele novamente disse que era um amigo e eu percebi que ele tinha algo debaixo dos braços. Fiquei assustado, achei seria vítima de algum ato de vandalismo, surra ou algo do tipo, uma vez que era meu primeiro dia lá.

Mesmo assustado, fui com o policial. Ele adentrou comigo no pátio, e eu não via mais ninguém ali, momento que eu o questionei: "Cadê seu amigo?". Ele disse: “Pera aí, menino. Já te apresento ele”.

No canto do pátio, ele tirou algo debaixo do braço, tomei um susto, e ele disse: “Vou te apresentar meu amigo, o nome dele é Jesus Cristo!".

De imediato, me ajoelhei, chorando, e ele leu para mim uma passagem da Bíblia - Isaías 41:10. Aceitei Jesus naquele momento. Minha vida tomava outro rumo. Permaneci preso 13 dias, nos quais eu busquei incessantemente a presença de Deus.

Justiça de Deus

Pedi perdão pelos meus pecados, jejuei, orei, louvei e adorei o Senhor. Procurei orientação de Deus através da Palavra e 13 dias após minha audiência foi concedida minha liberdade, devido a minha prisão em flagrante ter sido "relaxada", uma vez que ela foi ilegal.

Deus agiu grandemente, pois começou a aparecer filmagens de toda a ação policial, ficando comprovada minha inocência e que quem realmente pegou as drogas e as colocou no caminhão do guincho foi tão somente os dois guincheiros.

Após três meses, depois de algumas audiências, nas quais muitas testemunhas foram ouvidas, bem como os oficiais que me prenderam, foi marcada minha audiência final. Foi a audiência mais rápida já vista em toda história do Tribunal de Justiça Militar. A pedido do Ministério Público, tendo o promotor como representante, o mesmo pediu minha ABSOLVIÇÃO pela inexistência do fato. Por por votação unânime de 5 juízes militares, foi decretada minha absolvição pela inexistência do fato.

Eis que um dia questionei Deus se realmente ser policial era da vontade Dele, uma vez que eu ainda estava na Polícia devido a um mandado de segurança, no qual ainda não havia sido transitado e julgado desde 2008, devido minha tatuagem.

Foi quando eu resolvi prestar novamente concurso para Polícia Militar, fiz tudo de novo. Falei para Deus que se fosse da vontade Dele eu passaria e se não fosse eu seria reprovado, e consequentemente eu pediria baixa do concurso anterior.

Não retirei a tatuagem, Não pedi ajuda a políticos, a policiais, nada, apenas e tão somente a ajuda de Deus. O concurso teve 82.000 inscritos para apenas 1.130 vagas, e acreditem, eu passei em 1º lugar !!!.

E está foi a comprovação de que a vontade do Senhor Deus é que eu permaneça na Polícia Militar do Estado de São Paulo, onde eu estou até os dias de hoje. Deus nos dá sinais, mas cabe a cada um de nós percebê-los. No meu caso, eu apenas enxerguei na dor, na prisão, quase à beira da morte.

Hoje em dia sou usado por Deus para trazer as pessoas para o caminho do Senhor, seja através do meu testemunho, através de uma Palavra, mas enfim. Hoje eu tenho os olhos, os ouvidos e o coração abertos para os sinais do Senhor.

“Conheci os PMs de Cristo”

Quando fazia Escola de Formação de Soldados pela segunda vez, conheci o Núcleo PMs de Cristo de Campinas e comecei a frequentar. Eu me identifiquei muito com todos e comecei a convidar os demais alunos.

Vi e ainda vejo muitos milagres e livramentos que foram concedidos naquele lugar. Ouvi um testemunho, no qual uma aluna chegou até mim e disse que já estava tudo programado para ela tirar a própria vida, mas no caminho dela Deus me colocou, e eu a fiz um convite: "Vamos no culto dos PMs de Cristo hoje?".

Ela foi e este culto mudou radicalmente a vida dela, pois ela aceitou Jesus naquele dia e desistiu de ceifar a própria vida.

Estes e outros acontecimentos hoje me fazem ter certeza de que aqueles 13 dias preso no presídio militar, todo sofrimento meu e da minha família, toda vergonha passada, não foi nada em vão, pois o que Deus tinha e tem para minha vida é maior que tudo isso.

Hoje sou o soldado recruta mais antigo da Polícia Militar rs, e o principal, sou um servo de Deis, ainda com muitas falhas, mas com o coração aquebrantado e humilde, para sempre estar reconhecendo minhas falhas, pedindo perdão a Deus e buscando ser cada vez melhor, não para o mundo mais sim para Deus!!!

Presente de Deus

Em 2016 recebi mais um presente de Deus: fui convidado para trabalhar no 1º Batalhão de Policiamento de Choque - ROTA (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), ou seja, o lugar que eu sempre almejei e sonhei em servir. Após duros treinamentos, estágios, provações eis que conquistei o tão almejado braçal de ROTA, experiência única também vivida, sem dúvidas com a proteção, intercessão e providência divina.

Passado o período de 1 ano, hoje estou trabalhando na Corregedoria da Polícia Militar, serviço totalmente novo, que está sendo muito gratificante, pois estou tendo a possibilidade de ver a PM de outra forma, muitas experiências positivas para minha vida profissional e pessoal.

Fui aprovado nos últimos dois concursos internos da PMESP, para Graduação de Cabo PM e Sargento PM.

Em todas essas unidades policiais que passei e que ainda passarei, o nome do Senhor Cristo Jesus será SEMPRE EXALTADO, honrado e GLORIFICADO, pois Ele, somente Ele, é o detentor de TODA Adoração.

Foram sim dias difíceis, perdi TUDO, dinheiro, casamento, amigos, porém os planos do Senhor para minha vida eram totalmente diferentes dos meus. Demorei para entender, demorei para enxergar, mas Jesus Cristo disse que não seria fácil, mas trilhar seus caminhos valeria a pena.

Hoje falo de coração aberto: "VALEU MUITO A PENA! ESTÁ VALENDO MUITO A PENA"!

Obrigado DEUS, por tanto AMOR, por tanta misericórdia, por tanta justiça!

Amém Jesus!